Marcelino António da Silva Mesquita (n. Cartaxo, 1 Set. 1856; m. Cartaxo, 7 Jun. 1919). Dramaturgo.   
Filho de Ana Inácia Mesquita e de António da Silva Mesquita, abastado produtor e comerciante de vinho e seus derivados. Irmão de Maria Inês da Silva Mesquita (n. 1860) e António da Silva Mesquita (n. 1866).
Ingressou no Seminário Patriarcal de Santarém com onze anos, tendo-se matriculado nas disciplinas de Português, Inglês, Francês e Latim do liceu no mesmo espaço. Concluindo que não sentia vocação para se entregar ao Estado Eclesiástico, demonstrou-se deliberadamente insubordinado com o objectivo de ser expulso da instituição, tendo sido bem sucedido nesse empreendimento.
Em 1871 mudou-se para Lisboa para se dedicar ao estudo da Medicina, tendo para o efeito estudado na Escola Académica, na Politécnica e Hospital até à conclusão do curso. Porém, ao longo deste percurso, começou a sentir uma inclinação para as letras, tendo iniciado a escrita de poesia, bem como de crónicas para periódicos como O Diário Ilustrado e O Pae Anselmo no qual era responsável pela secção Risos e Satyras. Integrado na vida boémia lisboeta, no âmbito da qual, por via da convivência com intelectuais e artistas seus contemporâneos, sentia-se cada vez mais próximo do mundo das Artes e das Letras. O seu pai, que já se havia desiludido com a sua expulsão do Seminário, ainda mais se enraiveceu com este seu “chamado artístico” questão de que resultou o afastamento progressivo e mesmo corte total de relações entre ambos.
Entre 1884 e 1885 concluiu o seu curso e defendeu a sua tese intulada Hysteria. These Inaugural Apresentada e Defendida Perante a Escola Medico-Cirurgica de Lisboa, ano em que a sua peça – A Pérola, Episódio da Vida Académica – estreou no Teatro do *Príncipe Real, visto que foi rejeitada no Teatro D. Maria II por ter sido ser considerada imoral. Defendida a sua tese, reatou relações com o pai e regressou a Cartaxo onde se entregou à vida boémia em proporções excessivas. Ainda em 1885, no Verão, casou com Maria Rufina Marques, tendo ultrapassado uma vida de vícios e de maus hábitos durante os três anos seguintes.
Deste modo, praticou medicina e tornou-se usufrutuário de rendimentos consideráveis, através dos quais adquiriu o jornal O Povo do Cartaxo, que rebaptizou de O Chronista, no qual assumiu o papel de Directo e Redactor Principal. Este periódico operou entre 1886 e 1888, ano em que o vendeu e retornou a Lisboa, onde fundou e dirigiu conjuntamente com Julião Félix Machado (1863-1930) A Comédia Portuguesa. Chronica Semanal de costumes, casos, politica, artes e letras, publicação que mais tarde fundiu com A Paródia de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), em 1903.
Entre Março de 1890 e Abril de 1892, desempenhou a função de Deputado no âmbito da sua eleição pelo Círculo Plurinominal da Guarda. Após uma sequência de derrotas políticas durante os dois anos seguintes, decidiu refrear esse percurso, desviando atenções para a sua verdadeira vocação, a dramaturgia.
Durante este período e até à sua morte, levou à cena múltiplos sucessos de bilheteira, destacando-se, entre os mais de trinta espectáculos que escreveu, Leonor Teles (1889), O Velho Tema e Dor Suprema (ambos em 1896), O Regente (1897), Peraltas e Sécia (1899), Sempre Noiva (1901), O Tio Pedro (1902), Margarida do Monte (1910), Pedro, o Cruel (1915) e O Grande Amor (1919), que granjearam um substancial sucesso junto das audiências e crítica teatral, justificando plenamente o estatuto a que havia ascendido no panorama cultural português.
Vítima de pneumonia, faleceu com 62 anos na casa de Lisboa, situada na *Rua das Amoreiras, n.º 198, motivo pelo qual este jardim o homenageia através deste topónimo. Este espaço verde localiza-se mais exactamente na *Praça das Amoreiras.

Bibliografia
Rato, António Conceição Filipe (2009). Marcelino Mesquita (1856-1919). Aspectos da sua Vida e Memória Pública. Dissertação de Mestrado em Estudos e Património. Universidade Aberta