De Brooklyn até Cabo Verde, com uma paragem por Portugal. É esta a viagem que nos propõem no Brooklyn, um restaurante com conceito de cafetaria na Praça da Alegria e que está em funcionamento desde 2015. Aqui há espaço para a cachupa, para o arroz de polvo e, por vezes, para pratos americanos e vegetarianos. A ideia é juntar o melhor das culturas cabo-verdiana, portuguesa e americana, num espaço cheio de boa disposição.

No entanto, e curiosamente, não é só a comida que dá “brilho” a este restaurante. Ao entrarmos no espaço, encontramos uma parede coberta de molduras que nos guiam pelas figuras mais incontornáveis do Jazz, mas também por aqueles “que não morrem no tempo”, como Amália Rodrigues e até Camões, como nos conta Cláudia Oliveira, uma das proprietárias do espaço.

“A ideia para o restaurante veio do meu marido, Carlos Lopes, que nasceu em Portugal e tem descendência cabo-verdiana. Ele tinha uma paixão antiga pela restauração, e eu embarquei com ele nesta aventura. Criámos um espaço que mistura várias latitudes, mas que também junta a nossa paixão pela música soul e pela história afro-americana”, explica Cláudia Oliveira.

Conta que encontraram o espaço “num acidente bom”, quando, ao passarem pelo local, encontraram o senhor Pereira, antigo dono do espaço onde antes funcionava “um café tipicamente português”.

“O senhor Pereira manteve-se cá durante 47 anos, se bem me lembro. Mesmo quando tudo começou a fechar aqui há volta, ele manteve-se firme. Passou-nos muito bem o testemunho e gostámos bastante do contacto inicial que tivemos com ele, deu-nos muito conhecimento sobre o que nos esperava aqui”, reconhece a proprietária.

Com a pandemia, chegou a vez destes proprietários se manterem firmes, adaptando o negócio às circunstâncias. Passaram a servir em take-away e criaram um prato do dia, tendo sempre em conta “o registo do negócio e os seus clientes”, que vão desde “os estrangeiros aos portugueses”, dos que moram no bairro há muito tempo, “com mais idade”, aos “jovens que passam para beber café antes de ir trabalhar”.

“Temos muito a agradecer aos nossos clientes, que nunca nos abandonaram – também foi por eles que continuámos aqui”, confessa.

Sobre a zona, e apesar de terem encontrado o espaço por acaso, Cláudia afirma com segurança que foi “muito fácil” apaixonarem-se pelo lugar: “É uma praça incrível, romântica e no meio da cidade. Foi um amor que foi crescendo e, neste momento, não trocava esta freguesia por nada”, diz com um sorriso.

O restaurante está aberto de segunda-feira a sábado, das 09h às 18h.